Crítica | Superinteressante • 07.15.09
Recentemente, reportagem da Superinteressante (edição de maio/2009 - Dieta sem segredo) abordou vários assuntos sobre emagrecimento - exercícios, várias dietas “da moda” - desconstruindo mitos e desmistificando muitas alegorias que se colocam em torno de todo este universo que gira em torno da busca pela beleza, autoestima e saúde. Porém, há alguns pontos em que a própria matéria se torna contraditória e, apesar de ser bem fundamentada, meu senso crítico não deixou de “acender a luzinha do alarme”. Bom… dito isto, passo a apenas um dos pontos que me sobressaltaram. Está escrito assim: “outra confusão que virou lei é comer de 3 em 3 horas, o que manteria o organismo gastando energia. Ok, nutricionistas e endocrinologistas concedem: comer mais vezes pode ajudar a controlar a fome. Mas não acelera o metabolismo e, a longo prazo, dificilmente emagrece. Aliás, essa prática incentiva o consumo de snacks calóricos e compulsões alimentares” (página 52).
Em primeiro lugar, está comprovado que acelera sim o metabolismo. E isto, além de ser científico, é lógico. Quando o nosso corpo fica muito tempo sem receber alimentos, inconscientemente economiza energia para um estado de privação (mesmo que este não venha a ocorrer). O metabolismo passa a ficar mais lento, pois não sabe quando será a próxima refeição. Por outro lado, refeições fracionadas estimulam o metabolismo a gastar energia com o processo de digestão e absorção. Evitam o consumo excessivo nas próximas refeições, não sobrecarregam a função digestiva (afinal, não somos jibóias) exigindo uma maior produção dos sucos digestivos, além de facilitar a mastigação que, se feita de forma correta, induz a maior saciedade.
Em segundo lugar, ninguém que esteja querendo emagrecer - diga-se com motivação, entusiasmo e determinação - irá aproveitar para se esbaldar com “snacks calóricos”, mas sim, usar do bom senso e fazer das refeições intermediárias um bom motivo para se alimentar com moderação e inteligência. Bons exemplos são iogurtes, barras de cereais, frutas, cereais integrais.
E, por fim, dizer que estimula a compulsão alimentar é absurdo! A compulsão alimentar justamente se instala porque a pessoa que sofre deste distúrbio passa muitas horas sem se alimentar. A prática clínica, ou seja, o médico que cuida de pacientes com este tipo de distúrbio, antes mesmo de utilizar medicamentos, irá receitar que o paciente tente alimentar-se mais vezes para verificar se a compulsão melhora ou mesmo termina, para só então, caso não haja sucesso, utilizar medicamentos.
E, só para fazer uma observação prática aqui, gostaria de compartilhar que, como uma pessoa muito observadora e questionadora que aprendi a ser, quando estava no início da minha reeducação alimentar, comecei a perguntar para as minhas amigas que sempre foram magras como era a rotina alimentar delas e não teve nenhuma que não fizesse alimentações fracionadas! Sempre levando lanchinhos para o trabalho, comendo uma frutinha ou barrinha de cereal no meio da tarde, compensando no outro dia se comeram um bolinho, e, assim, fui também construindo a alimentação que gostaria de ter para mim, ou seja, fui formando o meu PENSAMENTO MAGRO. Através de observação, questionamento, reflexão e, principalmente, colocando em prática tudo o que era bom para mim e que poderia fazer parte da minha rotina.
E para vocês, deixo, além das minhas palavras, um conselho: existem hoje muitas e muitas publicações a respeito de emagrecimento, mas convém que utilizemos o bom senso para sabermos quais informações podemos usar a nosso favor, em prol da nossa saúde e bem estar! Pensem nisso e sejam felizes!










